"A liberdade sempre esteve comigo" — Evgeny Zhukov, residente da Crimeia, cumpriu pena por sua fé
Crimeia, Região de VolgogradoEm 9 de junho de 2026, cumpriu a pena o Testemunha de Jeová Evgeniy Zhukov, condenado por sua fé. Sua esposa e amigos percorreram cerca de 2.200 quilômetros — de Sebastopol até Yaroslavl — para compartilhar com ele os primeiros momentos em liberdade.
"A liberdade sempre esteve comigo", compartilhou Evgeniy sobre suas primeiras impressões após deixar a colônia penal. "Apenas restrições temporárias me impediam de estar perto dos meus entes queridos e abraçá-los".
Embora Evgeniy tenha conseguido estabelecer relações cordiais tanto com outros detentos quanto com a administração, o encarceramento envolveu dificuldades. "Fui colocado em condições rigorosas de detenção. Lá, passava o dia todo sentado, praticamente sem me mover. Antes disso, eu trabalhava como construtor, depois aprendi a ser padeiro e trabalhei quase um ano numa padaria... Minha postura em relação ao trabalho mostrava de fato que sou uma pessoa de fé. O trabalho também me ajudava a não focar nos sentimentos negativos", contou o fiel sobre o cotidiano atrás das grades.
O momento mais marcante durante o período na prisão foi o casamento de Evgeniy: em julho de 2024, ele registrou seu casamento com Tatyana. Na cerimônia solene estiveram presentes convidados vindos de milhares de quilômetros de distância.
O processo contra Evgeniy foi aberto ainda em outubro de 2020, quando ele foi preso pela primeira vez. Nos autos constam "crimes" como: "praticar atos de misericórdia... disseminar na sociedade informações sobre temas científicos, sociais e históricos". Tudo isso foi interpretado como "organização de atividade extremista". Em outubro de 2022, o tribunal o condenou a seis anos de prisão. Na prática, o crente permaneceu detido quase quatro anos e meio.
Segundo Evgeniy, as inúmeras cartas foram o que o mantiveram animado. "Graças às cartas, eu acordava todo dia sorrindo, aguardava por elas. Especialmente as cartas dos idosos...", disse Evgeniy, contendo as lágrimas. "São as cartas mais tocantes. Quando contam sobre sua vida, como percorreram seu caminho, do que se ocupam, isso tem muito valor. Tenho três caixas dessas cartas, são milhares. Em três cadernos grandes anotei pensamentos interessantes delas. Quero guardá-las no coração".
Ao comentar o que pensa sobre tudo o que passou, Evgeniy disse: "Para mim isso não foi tanto uma provação, mas sim um teste. A prisão é um papel de tornassol, ela me mostrou quem sou por dentro e no que preciso trabalhar. O princípio bíblico diz: 'No amor não há medo'. Na teoria, a prisão é assustadora. Muitos prisioneiros de consciência talvez estejam em condições muito mais duras do que as que enfrentei. Mas falo sinceramente: não é preciso temer. Deus sempre estará segurando sua mão".
Juntamente com Evgeniy, pelo mesmo caso, foram também condenados mais dois fiéis de Sebastopol — Vladimir Sakada e Vladimir Maladyka. A libertação deles está prevista para julho de 2026.


