Oksana Ivanova, Liliana Korol, Larisa Kislaya e Tatyana Levitskaya em frente ao edifício do tribunal no dia da leitura da sentença. Agosto de 2026.
Oksana Ivanova, Liliana Korol, Larisa Kislaya e Tatyana Levitskaya em frente ao edifício do tribunal no dia da leitura da sentença. Agosto de 2026.
Em Moscou, os Testemunhas de Jeová foram condenados por um cartão com a inscrição "Há esperança" e por discutir a Bíblia. Dois foram enviados para a colônia, quatro — para trabalhos forçados
MoscovoEm 26 de agosto de 2026, o Tribunal Distrital Simonovsky de Moscou condenou seis Testemunhas de Jeová locais: Zaur Murtuzov e Darya Petrochenko receberam 5 anos de prisão; Liliyana Korol, Larisa Kislaya e Oksana Ivanova receberam 4 anos de trabalhos forçados; e Tatyana Levitskaya recebeu 3 anos e 8 meses de trabalhos forçados.
Os fiéis foram considerados culpados de participação nas atividades de uma organização extremista e de indução de outros a essas atividades. O inquérito tratou como tal conversas sobre a Bíblia com uma mulher que se apresentou como Olga Grigorieva. Ela encontrou, em um cemitério, um cartão artesanal de consolo com a inscrição "Há esperança" e os contatos de Petrochenko. Conforme declarou Grigorieva posteriormente em tribunal, naquele momento ela estava enfrentando uma perda pessoal difícil e Darya lhe ofereceu apoio. Depois disso, elas mantiveram contato por mais dois anos e Grigorieva gravou essas conversas.
Durante a investigação preliminar, essa testemunha de acusação usava outro sobrenome: Gromykin. A defesa destacou que o passaporte em nome de Grigorieva havia sido emitido muito antes de ela conhecer Darya, o que pode indicar preparação prévia para uma provocação. A testemunha explicou que procurou o FSB devido ao nome de Jeová. Quando Darya perguntou se esse nome era proibido, a mulher não conseguiu responder.
“Conheço minhas motivações. De fato, queria apoiar uma pessoa que supostamente perdeu alguém próximo. Não pedi nada a ela, não lhe ofereci nada... Não causei nenhum dano, nem a ela, nem à ordem constitucional”, disse Darya em sua última declaração. “Depois desse episódio, não perdi a fé nas pessoas e não vejo um inimigo em cada um.”
Os condenados são pessoas comuns com profissões pacíficas. Zaur Murtuzov, de 49 anos, formado pelo Instituto Bauman, trabalhava em logística de armazenamento; Darya Petrochenko, de 34 anos, advogada e tradutora, era especialista principal no escritório da República da Inguchétia junto à Presidência da Rússia em Moscou; Larisa Kislaya, de 50 anos, prestava serviços de limpeza; Oksana Ivanova, de 56 anos, é médica pediatra e psicóloga; Liliyana Korol, de 48 anos, é cosmetologista; Tatyana Levitskaya, de 43 anos, é agente de viagens personalizada.
Em dezembro de 2024, agentes do Comitê de Investigação e do FSB, com apoio da Rosguard e do SOBR, realizaram buscas em Moscou e em Lyubertsy, na região metropolitana. Segundo relatos de testemunhas, em alguns apartamentos os agentes arrombaram portas com barras e marretas; Murtuzov foi agredido na cabeça e no abdômen, além de ter o nariz ferido.
Darya, Liliyana e Zaur passaram mais de um ano e meio em centro de detenção provisória. Durante quase todo esse tempo, Darya não recebeu visitas nem telefonemas. Liliyana tem doenças crônicas graves, incluindo diabetes mellitus, e foi hospitalizada de emergência em janeiro de 2026. Os demais investigados permaneceram em prisão domiciliar durante a investigação. O processo judicial, presidido por Dmitry Merzlyakov, teve início em janeiro de 2026.
Apesar do longo período de isolamento e outras dificuldades, os fiéis não desistem. “Estou focada no que posso fazer de útil para mim e para os outros”, observou Tatyana Levitskaya. Amigos e familiares procuraram apoiar os fiéis durante todo o processo. “Uma amiga, ao final de cada carta, me assegurava: 'Sempre lembre que 9 milhões estão orando por você',” relatou Liliyana Korol. “Isso sempre foi um apoio poderoso.” Larisa Kislaya disse: “Eu sabia que tinha amigos, mas só agora entendi o quanto sou importante para eles e quantos, de fato, existem.” No dia da sentença, cerca de 120 pessoas compareceram para apoiar os fiéis.
Atualmente, em Moscou e na região de Moscou, mais de 30 Testemunhas de Jeová tornaram-se alvo de processos criminais por sua fé, sendo nove delas cumprindo pena em colônias penais.






